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sábado, 22 de julho de 2017

Amoklauf von München: "Kein Tag, an dem wir sie nicht vermissen" Umbau in Trumps Medienstab Traumatisierte Jugendliche lernen das Leben neu Kate und William werden in Hamburg bejubelt

Marcha em Caracas em apoio à Suprema Corte paralela é bloqueada


AFP / Juan BARRETOO presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, em Caracas, em 21 de julho de 2017
Militares bloquearam neste sábado com bombas de gás lacrimogêneo uma marcha que se dirigia ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), em Caracas, em apoio aos 33 magistrados juramentados pelo Parlamento pela ofensiva contra o presidente Nicolás Maduro e a sua convocação a uma Assembleia Constituinte.
O Legislativo nomeou na sexta-feira um TSJ paralelo alegando que os juízes da corte suprema foram designados ilegalmente pela anterior maioria chavista no Parlamento e que servem ao governo socialista.
"Apoiamos os novos magistrados porque devolverão a independência ao TSJ, que agora só cumpre as ordens de Maduro", disse à AFP Luis Torrealba, manifestante de 43 anos, acompanhado por sua esposa e seu filho adolescente.
Entretanto, a Sala Constitucional do tribunal advertiu na sexta-feira que a juramentação destes juízes configura os crimes de "usurpação de funções" e "traição à pátria", ambos punidos com prisão.
A corte também destacou que o Parlamento continua em desacato e, por isso, considera nulas todas as suas decisões.
Quando tomou a avenida Francisco Fajardo com a intenção de se dirigir ao centro da capital, a mobilização de centenas de opositores foi dispersada por militares da Guarda Nacional que dispararam bombas de gás lacrimogêneo de motocicletas.
"A Assembleia Nacional cumpriu [...]. Agora todos vamos apoiar com força nas ruas o novo TSJ", tuitou Freddy Guevara, vice-presidente do Congresso, um chamado a participar das marchas convocadas pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) em Caracas e outras cidades do país.
A MUD planeja impedir as eleições da Constituinte, previstas para o próximo domingo (30), que denuncia como "uma fraude" que tornaria a Venezuela "outra Cuba".
Entre quinta e sexta-feira, a oposição fez uma greve geral de 24 horas que definiu como "a hora zero" de uma escalada de protestos para exigir que Maduro desista do projeto, após quatro meses de protestos que deixaram 103 mortos.
O presidente ratificou que seguirá em frente com a Constituinte e avisou que essa iniciativa colocará "ordem".
A MUD sustenta que impedir a Constituinte é uma ordem, após um plebiscito simbólico realizado no domingo passado em que, assegura, 7,6 milhões de venezuelanos participaram.
copiado https://www.afp.com/pt

Especialistas europeus criticam o projeto de Constituinte na Venezuela Parlamento venezuelano nomeia corte suprema paralela



Especialistas europeus criticam o projeto de Constituinte na Venezuela

AFP / FEDERICO PARRA(22 jun) Maduro discursa em Caracas
O projeto do presidente venezuelano Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Constituinte pode questionar a credibilidade democrática do país, afirmaram nesta sexta-feira vários especialistas em Direito Constitucional do Conselho da Europa.
"Em virtude da Constituição e das normas do Estado de Direito, o presidente não tem o poder de decidir as modalidades da eleição da Assembleia Constituinte", afirmaram os especialistas, consultados pela Organização de Estados Americanos (OEA).
Ao promulgar esses decretos, Maduro "violou de maneira flagrante o princípio democrático de igualdade nas votações", destacaram os membros da "Comissão de Veneza", da organização pan-europeia.
A Comissão enfatizou "a absoluta necessidade de um debate substancial que inclua as diversas forças políticas, as organizações não governamentais e as associações, os professores universitários e os meios de comunicação para alcançar um texto aceitável pelo conjunto da sociedade, conforme as normas democráticas", concluíram.

Parlamento venezuelano nomeia corte suprema paralela

AFP / Juan BARRETOO presidente e o vice-presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges (D) e Freddy Guevara, em Caracas, em 21 de julho de 2017
A maioria opositora do Parlamento venezuelano nomeou, nesta sexta-feira, um tribunal supremo paralelo ao que está atualmente em exercício e que é acusado de servir ao governo. A medida faz parte da ação para obrigar o presidente Nicolás Maduro a voltar atrás sobre a Assembleia Constituinte.
Em sessão celebrada em uma praça pública do leste de Caracas, o presidente do Legislativo, Julio Borges, juramentou 33 pessoas como magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).
Enquanto isso ocorria, no centro da capital o TSJ advertia que os parlamentares devem ser presos por este ato considerado "nulo" e "subversivo".
A corte reiterou que a Câmara está em desacato e que todas as suas decisões não têm validade, motivo pelo qual essa nomeação de juízes trata-se de uma "usurpação de funções" e "traição à pátria". Este último delito pode ser punido com prisão.
Borges disse que a nova corte faz parte da "mudança que logo acontecerá" na Venezuela, com uma "justiça a serviço do povo e não de uma parcialidade política".
O atual tribunal foi designado no final de 2015 pela anterior maioria chavista no Parlamento, dias antes de a oposição assumir o controle legislativo, após uma vitória esmagadora nas urnas.
Desde então se observa um choque de poderes: em janeiro de 2016 o TSJ declarou o Legislativo em desacato por ter juramentado três deputados acusados de fraude eleitoral; a câmara não reconhece a decisão da corte por considerar que a eleição desses parlamentares foi ilegal.
O TSJ, emitiu ainda dezenas de decisões que anularam medidas do Congresso e reduziram seus poderes.
"Hoje nossa justiça foi sequestrada, está a serviço do regime", afirmou da tribuna a opositora Sonia Medina.
O TSJ reiterou sua sentença de quinta-feira, na qual anulou o processo para a nomeação de uma instância paralela.
"Corresponde às autoridades competentes, civis e militares, executar as ações de coerção pertinentes a fim de manter a paz e a segurança nacional. Para nós, já devem ser tomadas medidas de coerção porque é um flagrante permanente", declarou em coletiva o presidente da Sala Constitucional do TSJ, Juan José Mendoza.

copiado https://www.afp.com/pt

Maduro enfrenta forte pressão em meio a violentos protestos


AFP / RONALDO SCHEMIDTManifestantes venezuelanos entram em confronto com a polícia em Caracas
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enfrenta uma crescente pressão internacional e uma forte ofensiva da oposição contra a eleição de uma Assembleia Constituinte, em meio a quatro meses de protestos que já deixaram 103 mortos.
Em sessão realizada em uma praça do leste de Caracas, a maioria opositora do Parlamento nomeou, nesta sexta-feira, um tribunal supremo paralelo ao que está atualmente em exercício, que é acusado de servir ao governo.
O presidente do Legislativo, Julio Borges, juramentou 33 pessoas como magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).
Este novo desafio da oposição faz parte da estratégia deflagrada com o plebiscito simbólico realizado no domingo passado, no qual afirmam ter obtido 7,6 milhões de votos contra a Constituinte.
Entre quinta e sexta-feira a oposição liderou uma greve geral de 24 horas para exigir que Maduro desista da eleição dos 545 membros da Constituinte, no dia 30 de julho.
Durante a greve, que segundo a oposição teve adesão de 85%, ocorreram choques entre as forças de segurança e manifestantes em várias regiões, que deixaram cinco mortos e 367 detidos, segundo a Procuradoria e a ONG Fórum Penal.
Maduro postou em suas redes sociais vários vídeos nos quais aparece transitando por Caracas para demonstrar, segundo ele, o fracasso da paralisação cívica convocada pela oposição.
Junto à esposa, Cilia Flores, Maduro aparece passeando de carro na quinta-feira pela avenida Baralt, no centro da cidade, enquanto ouve música com as janelas fechadas.
Sorridente, o presidente mostra um restaurante McDonald's, ao qual se refere ironicamente como "uma empresa comunista que chegou à Venezuela". Flores ressalta que o local estava aberto, apesar da greve.
O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, reafirmou nesta sexta que os militares garantirão que a eleição da Assembleia Constituinte aconteça em paz. "Temos um plano concebido para dar resposta a qualquer ameaça. (...) Vamos garantir que em 30 de julho o povo possa exercer seu direito ao voto, em plena democracia".
- Apelos internacionais -
A crise da Venezuela dominou os debates na cúpula do Mercosul na cidade argentina de Mendoza, com pedidos dos presidentes para a abertura de um diálogo entre Maduro e a oposição.
"Estamos e continuaremos dispostos a unir nossa voz à dos nossos vizinhos que pedem a volta da democracia" na Venezuela, declarou o presidente Michel Temer durante a sessão plenária, assegurando que "essa é a postura do Mercosul em conjunto".
"Nossos chanceleres reconheceram formalmente a ruptura da ordem democrática", confirmou Temer.
Seu colega argentino, Mauricio Macri, pediu a adoção de um calendário eleitoral e fez um chamado à paz e "à liberdade dos presos políticos".
"Reiteramos nossa disposição de estabelecer, em consulta com o governo e a oposição, um grupo de contato para mediar um processo de diálogo", disse Macri na abertura da cúpula presidencial, nesta sexta.
Caracas reagiu qualificando a cúpula de Mendoza de "ilegal" e considerou "alarmante o permanente uso temerário do mecanismo de integração a serviço de uma política de perseguição ao governo e ao povo da Venezuela".
Vários especialistas em Direito Constitucional do Conselho Europeu avaliaram que "em virtude da Constituição e das normas do Estado de Direito, o presidente (Maduro) não tem o poder de decidir as modalidades da eleição da Assembleia Constituinte".
Ao promulgar esses decretos, Maduro "violou de maneira flagrante o princípio democrático de igualdade nas votações", destacaram os membros da "Comissão de Veneza", da organização pan-europeia.
- Estado Paralelo ? -
Nesta sexta-feira, enquanto o presidente do Legislativo, Julio Borges, empossava 33 pessoas como magistrados do Tribunal Supremo de Justiça, o próprio TSJ, em sua sede no centro de Caracas, advertia que os parlamentares devem ser presos por este ato considerado "nulo" e "subversivo".
O Supremo reafirmou que a Câmara está em desacato e que todas as suas decisões não têm validade, motivo pelo qual essa nomeação de juízes se trata de uma "usurpação de funções" e "traição à pátria", o último crime passível de prisão.
Borges disse que a nova corte faz parte da "mudança que logo acontecerá" na Venezuela, com uma "justiça a serviço do povo e não de uma parcialidade política".
O atual tribunal foi designado no final de 2015 pela anterior maioria chavista no Parlamento, dias antes de a oposição assumir o controle legislativo, após uma vitória esmagadora nas urnas.
Desde então se observa um choque de poderes: em janeiro de 2016 o TSJ declarou o Legislativo em desacato por ter juramentado três deputados acusados de fraude eleitoral.
O TSJ emitiu ainda dezenas de decisões que anularam medidas do Congresso e reduziram seus poderes.
copiado https://www.afp.com/pt

Protesto que seguia para o Supremo venezuelano acaba em confronto com agentes


Protesto que seguia para o Supremo venezuelano acaba em confronto com agentes


Os manifestantes pretendiam chegar à sede do TSJ, mas tiveram a passagem impedida a poucos metros do ponto de partida pela Guarda Nacional Bolivariana, que os obrigou a recuar com bombas de gás lacrimogêneo.

Os agentes se encontraram em Chacao, um reduto da oposição no leste de Caracas, com um grupo de jovens conhecido como "a resistência", que repeliu os ataques com escudos caseiros e também atacou os oficiais com diversos objetos.



O deputado opositor Miguel Pizarro denunciou em vídeo publicado nas redes sociais a "repressão em Chacao" com "bombas de gás lacrimogêneo lançadas contra os manifestantes da estrada com alguns tanques".

O deputado Ángel Medina denunciou em mensagem no Twitter uma "forte repressão" na estrada Francisco Fajardo, à altura de Chacao. "O nosso povo, em protesto pacífico, atacado pela ditadura", acrescenta a mesma mensagem.

A oposição tinha anunciado a intenção de chegar ao TSJ para expressar respaldo aos 33 magistrados designados na sexta-feira pelo Parlamento, não reconhecendo os que foram designados em 2015 por um Legislativo de maioria chavista.

A Venezuela vive desde 1º de abril uma onda de protestos contra o governo gerados após o Tribunal Supremo assumir as funções do Legislativo. Algumas decisões foram revogadas posteriormente.

Pelo menos cem pessoas morreram até agora em episódios de violência relacionados com as manifestações, que frequentemente resultam confrontos com as forças da ordem. 
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Lula é submetido a exames no Hospital Sírio-Libanês, em SP

Lula é submetido a exames no Hospital Sírio-Libanês, em SP
 Do UOL, em São Paulo
22/07/201716h50 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve na manhã deste sábado (22) pelo Hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, para realizar exames de saúde. De acordo com boletim médico divulgado à tarde pelo hospital, em "reavaliação periódica de saúde", Lula passou por consulta e realizou "exames de sangue, PET-CT, ressonância nuclear magnética de pescoço e vias aéreas e laringoscopia".
O exame PET-CT é uma tomografia computadorizada. "Todos os exames se encontram normais", afirma o texto do hospital. Os trabalhos foram coordenados pelos médicos Roberto Kalil Filho, Artur Katz e Luiz Paulo Kowalski.
A maioria dos exames realizados serve para diagnosticar casos de câncer. Lula enfrentou um câncer de laringe em 2011. Na ocasião, foi submetido a sessões de radioterapia e quimioterapia. Ele foi considerado curado no ano seguinte e desde então vem passando por acompanhamento médico e exames de rotina.
Na última quinta-feira (21), o ex-presidente participou na avenida Paulista de um ato contra a sua condenação decida na semana anterior pelo juiz Sérgio Moro. O petista, que pretende ser candidato a presidente em 2018 e lidera as pesquisas de intenção de voto, foi condenado a 9 anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do apartamento tríplex do Guarujá (SP). Ele também teve recursos bloqueados pela Justiça e pode recorrer à segunda instância em liberdade.
Ontem, Lula esteve no velório do ex-assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia, na Assembleia Legislativa de São Paulo.
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Como funcionava o "grupo criminoso" identificado por Janot na Câmara


Como funcionava o "grupo criminoso" identificado por Janot na Câmara

Aiuri Rebello
Do UOL, em São Paulo
  • Pedro Ladeira - 12.set.2016/Folhapress
    Deputados lotam plenário durante cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ): preso, ele é considerado pelo MPF um dos líderes do grupo chamado de "PMDB da Câmara"
    Deputados lotam plenário durante cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ): preso, ele é considerado pelo MPF um dos líderes do grupo chamado de "PMDB da Câmara"
Um "grupo criminoso"  em plena atividade: assim o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se referiu na denúncia oferecida contra o presidente Michel Temer (PMDB) e seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures por corrupção passiva ao "núcleo do PMDB na Câmara". Segundo ele, trata-se de um grupo "organizado, comandado e articulado por políticos (...), com o escopo de viabilizar enriquecimento ilícito daqueles e de grupos empresariais, bem como financiar campanhas eleitorais, a partir de desvios políticos de diversas empresas estatais e entes da administração direta e indireta".
Janot descreveu na denúncia como era a atuação de um grupo de políticos do PMDB e de outros partidos na Câmara dos Deputados e no Executivo Federal, alvo de investigação criminal no STF (Supremo Tribunal Federal) sob suspeita de formação de quadrilha.
Conforme avança a Operação Lava Jato e seus desdobramentos, a junção de diversos inquéritos e ações penais com assuntos coincidentes oferece uma perspectiva mais ampla de como funcionavam os esquemas de corrupção envolvendo políticos e grande empresários brasileiros.
No inquérito 4327, aberto para investigar o que a PGR (Procuradoria-Geral da República) chama de "grupo do PMDB na Câmara" e que corre no STF, estão arroladas como suspeitos 15 pessoas, a maioria deputados federais --além do PMDB, a lista traz parlamentares do PSC, do PTB e do PTC.
De acordo com Janot, "vislumbrou-se que os integrantes do chamado 'PMDB da Câmara dos Deputados', arrolados nestes autos, atuavam diretamente na indicação política de pessoas para postos importantes da Petrobras e da Caixa Econômica Federal. Além disso, eram responsáveis pela 'venda' de requerimentos e emendas parlamentares para beneficiar, ao menos, empreiteiras e banqueiros. Outros parlamentares supostamente envolvidos com o grupo não fazem parte desta investigação, mas já respondem a outras ações e inquéritos relacionados ao esquema".
Os políticos citados pela PGR como integrantes do grupo são os deputados federais André Moura (PSC-SE), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Aníbal Gomes (PMDB-CE), Altineu Cortês (PMDB-RJ) e Manoel Júnior (que está licenciado, exercendo a vice-prefeitura de João Pessoa, PMDB-PB). Faria de Sá foi o único deputado que conversou com a reportagem (leia mais abaixo) e afirmou que já prestou depoimento à PF sobre o caso, no final do ano passado, quando a investigação começou.
Os ex-deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ, também ex-presidente da Câmara), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN, também ex-ministro do Turismo), Alexandre Santos (PMDB-RJ), Carlos Willian (PTC-MG), João Magalhães (PMDB-MG), Nelson Bornier (PMDB-RJ) e Solange Almeida (PMDB-RJ) também são investigados sob suspeita de fazer parte da "quadrilha".
Jean-Christophe Bott/Efe
O banqueiro André Esteves chegou a ser preso na Operação Lava Jato

Banqueiro e doleiros também são investigados

O banqueiro André Esteves e os operadores financeiros Fernando Soares (também conhecido como Fernando Baiano) e Lúcio Funaro completam a lista de investigados por formação de quadrilha, pelo menos por enquanto. Na semana passada, a PF pediu para que o presidente Michel Temer fosse incluído no inquérito como suspeito na mesma investigação.
Funaro continua na cadeia e tenta negociar uma delação premiada. Fernando Baiano foi condenado na Lava Jato e fechou um acordo de delação.
Os dois eram considerados pelo MPF (Ministério Público Federal) os principais operadores financeiros de políticos do PMDB. Já André Esteves foi preso na Operação Lava Jato em novembro de 2015 e solto pouco depois. Na época, era o principal nome frente ao BTG Pactual e voltou a trabalhar no banco. Ele nega qualquer crime.
Partes da investigação no STF ainda estão sob sigilo de Justiça, então é possível que haja mais nomes já relacionados.
Paralelamente, outros homens fortes de Temer no PMDB e no governo são alvo de inquéritos e ações penais: o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Moreira Franco, e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, são investigados no STF por suspeita de cobrar e receber propina de empreiteiras. Eles foram delatados por executivos da Odebrecht.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima, por sua vez, chegou a ser preso recentemente, acusado de pressionar a mulher de Funaro para que ele não negocie uma delação premiada. Ele é citado em diversas delações no âmbito da Lava Jato, geralmente em assuntos relacionados à Caixa Econômica Federal.
Fora as investigações e ações contra integrantes do PMDB, correm pelo menos outras três de teor semelhante: existe em andamento no STF uma investigação sobre o chamado PMDB no Senado e, além disso, outras duas sobre o PT e o PP também na Câmara.
Alan Marques/Folhapress
O ex-deputado federal e ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves foi preso na Operação Lava Jato

Divisão em núcleos

De acordo com a PGR, a suposta quadrilha do "grupo do PMDB na Câmara" atuava em núcleos bem definidos: político, econômico, operacional e administrativo. "Esses núcleos atuavam com divisão de tarefas, de forma compartimentada e dinâmica, porém harmônica e com interdependência", afirma a PGR na petição inicial.
"O núcleo político indicava e sustentava pessoas do núcleo administrativo que aceitassem interação e articulação com o núcleo econômico para, em conluio, desviarem recursos de empresas da administração pública direta e indireta em decorrência de fraudes em obras, bens e serviços", acusa o procurador-geral. "Posteriormente, havia repasses de vantagens indevidas aos integrantes dos núcleos administrativo e político, através de pagamentos operacionalizados por integrantes do núcleo operacional, ou até mesmo por meio de doações eleitorais declaradas."
Confira abaixo o esquema divisado pela PGR sobre as atuações do suposto "grupo do PMDB na Câmara":
  • Núcleo político - Formado por políticos do PMDB na Câmara e no Poder Executivo federal. Seria o responsável pela indicação e sustentação de membros do núcleo administrativo em cargos públicos estratégicos para atender aos interesses do núcleo econômico. Seriam os principais beneficiários das propinas cobradas dos empresários do núcleo econômico. Segundo Janot, estariam neste grupo, entre outros, André Moura, Arnaldo Faria de Sá, Aníbal Gomes, Altineu Cortês, Manoel Júnior, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves. Figuras importantes do PMDB, como Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Eliseu Padilha, não são inicialmente relacionados entre os 15 suspeitos alvos da investigação por formação de quadrilha. Apesar disso, a PGR pede o ajuntamento dos autos de outras investigações sobre estas figuras no inquérito da suposta quadrilha. O UOL procurou todos os citados para saber como se posicionam sobre as suspeitas da PGR; Faria de Sá foi o único deputado que conversou com a reportagem e negou irregularidades (leia mais abaixo).
     
  • Núcleo econômico - Composto por empresas e empresários com atuação no Brasil que possuíam interesses junto à administração federal. Estes empresários pagariam propinas para ver seus interesses atendidos. A propina ia para o setor operacional, que distribuía o dinheiro entre os membros do núcleo político e do núcleo administrativo. Fariam parte deste grupo grandes empresários brasileiros como o banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual. A delação premiada de Joesley Batista e outros executivos da J&F Investimentos, que corrobora e entrega esquemas de corrupção de diversos partidos em várias esferas do governo e do Legislativo federal, faz parte da investigação. Outras grandes empresas cujos executivos já fecharam acordos de delação premiada, como a Odebrecht, também admitiram participação nos esquemas apurados. Procurado, o banco BTG Pactual informa que Esteves nega qualquer irregularidade. Depois que seus executivos fecharam acordos de delação premiada, J&F e Odebrecht têm afirmado, em nota, que estão colaborando com todas as investigações em curso.
     
  • Núcleo administrativo - Formado por indicados do núcleo político para cargos de primeiro e segundo escalão em empresas estatais e outros órgãos públicos. Eram os responsáveis por receber e atender as demandas do núcleo econômico. Em troca, ficavam com uma porcentagem da propina combinada pelo núcleo econômico com o núcleo político. Este núcleo seria composto por pessoas que ocupavam cargos estratégicos em empresas, bancos e outros entes estatais. Entre eles estão Fábio Cleto, ex-presidente do FI-FGTS (Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço); Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras; e o próprio Geddel Vieira Lima, que foi vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff (PT). O UOL não teve retorno nas tentativas de contato com os advogados dos acusados. 
     
  • Núcleo operacional - Eram os doleiros e operadores financeiros cuja atribuição principal era receber as propinas do núcleo econômico e repassá-la aos integrantes dos núcleos político e administrativo. Também recebiam demandas do núcleo econômico e as repassavam para os núcleos político e administrativo. Seriam integrantes deste grupo os operadores financeiros Lúcio Funaro e Fernando Soares, além do doleiro Alberto Youssef, entre outros. Os três foram presos na Operação Lava Jato. Funaro é o único que ainda não conseguiu fechar um acordo de delação premiada. O UOL não teve retorno nas tentativas de contato com os advogados dos acusados.
Ed Ferreira/Folhapress
Salim Taufic Schahin, do Grupo Schahin, durante depoimento na CPI da Petrobras em 2015: recusa em pagar propina teria rendido convocação, aponta PGR

O que os políticos investigados fariam de ilegal

De acordo com a PGR, o grupo, grosso modo, criaria dificuldades para vender facilidades a empresários, inclusive com decisões no Congresso. De acordo com Janot, um exemplo desta atuação aconteceu na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, em 2015. Os executivos da Schahin teriam sido convocados a depor depois de se recusarem a pagar propina para Eduardo Cunha e seu grupo.
"A maioria dos requerimentos partiram de seis parlamentares ligados a Eduardo Cunha. (...) Destaque-se que, além de não haver indícios de que a Schahin fizesse parte do chamado 'cartel VIP' de empreiteiras que atuaram perante a Petrobras, a CPI não demonstrou o mesmo interesse com outros diretores de empresas diretamente envolvidas no cartel", afirma Janot no inquérito sobre o grupo do PMDB na Câmara.
No ano passado, um dos sócios da Engevix afirmou ao juiz Sergio Moro que havia pagado propina a políticos para não depor na CPI. Delatores da Odebrecht também confessaram à Justiça que empresa comprou a edição de Medidas Provisórias no Congresso entre 2009 e 2013.
Existe também a expectativa de a PGR abrir uma nova investigação contra o presidente Michel Temer, desta vez sob a suspeita de ter beneficiado um grupo empresarial que atua no porto de Santos com a edição de um decreto que renovava a concessão do local por 30 anos. 
Na Caixa, esquemas de corrupção de integrantes do PMDB foram delatados por Fábio Cleto e pelo empresário Joesley Batista, dono da J&F. Considerado pela Lava Jato como o principal operador financeiro de Cunha, Funaro também tenta fechar acordo de delação premiada com a PGR e, entre coisas, promete detalhar a corrupção na Caixa.
Sobre a Petrobras, a PGR relembra que foi lá que começou a Operação Lava Jatoe desde o princípio apontou o envolvimento de nomes do PT, PMDB e PP. "Com relação à Petrobras, em tese, a atuação da organização criminosa em questão agiria para indicar e dar sustentação à pessoa que ocupasse a Diretoria Internacional da Petrobras a qual, segundo partilha dos partidos políticos, era destinada ao PMDB", diz o procurador-geral na ação.
Neste ano, Eduardo Cunha foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisãopor conta de esquemas de corrupção na Petrobras. Ele responde a outros processos. Ex-diretores da empresa e operadores financeiros do PMDBtambém já foram condenados por desvios na companhia estatal. 
Apenas em Curitiba, onde tudo começou, a Operação Lava Jato já teve 41 etapas e ainda tem 40 ações penais em andamento.
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) nega envolvimento na "quadrilha" e diz que já prestou depoimento na PF sobre o caso

"Todas as denúncias devem ser apuradas"

De acordo com o deputado Arnaldo Faria de Sá, o nome dele aparece no inquérito conduzido pela PGR porque era 3° sub-relator da CPI da Petrobras e convocou executivos do grupo Schahin para depor. Ele diz que o caso envolvendo a Schahin e a Petrobras já foi julgado e encerrado pelo juiz Sergio Moro. Sobre a eventual corrupção de políticos do PMDB e de outros partidos na Câmara, o deputado diz que "os casos de que tenho conhecimento são aqueles divulgados pela mídia impressa, escrita e falada".
"Todas as denúncias devem ser apuradas, essa é a minha opinião, razão pela qual fui retirado da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, da Câmara dos Deputados, quando da votação da admissibilidade do afastamento do presidente Temer", afirma Faria de Sá. "O mesmo aconteceu, também, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, quando votei pela admissibilidade da representação contra o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha", completa o deputado.
A assessoria de imprensa do banco BTG Pactual diz que a defesa dele reafirma que o banqueiro não cometeu nenhuma irregularidade.
UOL procurou os partidos, políticos e pessoas citados na reportagem, por meio de suas assessorias de imprensa e advogados, mas não obteve respostas até a publicação do material. A reportagem não conseguiu contato com os ex-deputados Carlos Willian, Alexandre Santos, João Magalhães, Nelson Burnier e Solange Almeida; além da defesa do operador financeiro Fernando Soares.
copiado https://noticias.uol.com.br